sábado, abril 25, 2026

Resenha: 1984


1984 E O GRANDE IRMÃO

Por Aldir Guedes Soriano 



        Winston Smith, personagem principal do livro “1984,” ficção de George Orwell (1903-1950), tinha diante de si instrumentos antigos de escrita e desafiadoras folhas de p
apel, em branco. Após semanas de preparação, sacrificando o seu almoço no Ministério da Verdade, o funcionário público estava decidido a escrever um diário. Havia enormes retratos do Grande Irmão espalhados por toda a cidade de Londres, com os dizeres: “O Grande Irmão está vigiando você.” Winston sabia que estava sendo constantemente observado pelos olhos de Monalisa daquele camarada de bigode preto.  

Naquela tarde de outono, Winston entrou em seu solitário e malcheiroso apartamento. Ele passou pela cozinha. Esfomeado, comeu o naco de pão embolorado que seria o seu desjejum do dia seguinte. Almejando uma dose de coragem (Dutch Courage), tomou de uma só vez uma xícara de Gin Vitória (bebida sintética enjoativa e desagradável). Logo sentiu como se tivesse recebido uma pancada de cacetete na nuca. A bebida também o golpeou no estômago, mas em seguida proporcionou-lhe algum alívio emocional.  

Havia um canto no apartamento em que Winston ficava fora do alcance visual da Teletela. Nesse precário refúgio, ele puxou da gaveta o seu esplêndido e raro caderno de anotações. Sobre a mesa havia um frasco de tinta e o arcaico porta-penas. Finalmente, mergulhou o bico de pena na tinta e escreveu o cabeçalho: 4 de abril de 1984. Abaixo, registrou cenas de um filme de guerra, com explosões e braços humanos voando pelos ares. Ao sentir cãibras interrompeu a escrita. Refletiu sobre os Dois Minutos de Ódio vivenciados pela manhã.  O alvo era sempre o inimigo Emmanuel Goldstein. Os minutos de ódio cessaram com a costumeira, hipnótica e histérica adoração ao Big Brother. 

Winston estava aterrorizado ao escrever no diário: ABAIXO O GRANDE IRMÃO. A simples posse dos materiais de escrita já seria o suficiente para que ele fosse preso, torturado e, por fim, vaporizado, ou seja, varrido para sempre como se nunca tivesse existido. Certamente seria encontrado pela implacável polícia do pensamento. Espiões estavam por toda parte. Crianças doutrinadas espreitavam a fim de denunciar pais e vizinhos. 



    O Gin Vitória é símbolo do triunfo do Partido, que, em sua propaganda ostensiva, promete o paraíso na terra, mas entrega miséria, fome, tortura, morte e desolação. O Ministério da Fartura gera escassez e miséria; o Ministério da Verdade reescreve o passado. No prédio do temido Ministério do “Amor,” Winston é torturado até reconhecer que 2 + 2 é igual a 5. O amor venceu! Em Oceania, tudo é falseado. O açúcar e o café de verdade são inacessíveis. Apenas produtos sintéticos, falsificados ou adulterados estão disponíveis. 

O pesadelo fictício de Winston reflete graves aspectos da realidade. Em 1949, quando Orwell publicou 1984, as atrocidades de Stálin eram bem conhecidas pelo autor. Ademais, não havia computadores pessoais e celulares. Hoje, cada um de nós carrega sua própria Teletela no bolso. 

Em 2013, Edward Snowden vazou documentos secretos comprovando que as agências americanas NSA e CIA passaram a espionar o cidadão. É notório o aumento da capacidade de vigilância e de controle. Assim, o tema das liberdades de pensamento e de expressão torna-se ainda mais relevante e desafiador.  

    Censuras e restrições à liberdade de expressão atendem, exclusivamente, aos interesses de ideologias políticas de natureza totalitária. A limitação do poder do Estado assegura o pluralismo político e a mais ampla liberdade individual de pensamento, de consciência, de religião e de expressão. Todo regime opressor combate obsessivamente essas liberdades.  








sábado, março 28, 2026

Naw-Ruz

 Durante o mês de março, a comunidade Bahá'í comemora o Naw-Ruz. 

Democracia liberal e o direito à liberdade religiosa

 


1. Vídeo sobre o artigo disponível no Canal Direito, Filosofia & Literatura para Destemidos:


2. Paper disponível no link abaixo:


domingo, março 22, 2026

Hoje é o Dia Internacional da Água

Sim, 22 de março é o Dia Internacional da Água. 

   Dia de Renascimento, Inspiração e Superação de Dificuldades. 

    Assista aos nossos vídeos e ao podcast sobre a água, disponíveis no YouTube. Permita-se, por alguns minutos, refletir sobre a relevância desta substância:  H2O

                            Então, deseje um Feliz Dia da Água para alguém.  




Perseguição Religiosa Bolchevique

     Assista ao vídeo sobre a implacável e generalizada perseguição Bolchevique contra qualquer corrente religiosa a partir da Revolução de 1917, - disponível no canal Direito, Filosofia & Literatura para Destemidos

    Clique no link Perseguição Bolchevique e descubra a importância  de se manter viva a memória deste período sombrio e os desatinos do totalitarismos. 


domingo, março 15, 2026

Iranianos sob Fogo Cruzado

        


        A partir do último sábado (28/02/2026), os olhos do mundo se voltaram para o Irã a partir do momento em que cenas dos precisos ataques militares dos EUA e Israel contra bases militares iranianas, complexos nucleares e abrigos de terroristas começaram a chegar. Líderes importantes da ditadura teocrática iraniana como o aiatolá Ali Khamenei pereceram. Em retaliação, o Irã atacou alvos civis na Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes e Turquia. 

         Além de preservar o milenar legado cultural persa, o Irã gerou em seu solo a tradição Bahá’í, a meu ver, uma das religiões mais pacifistas, resilientes e tolerantes que tive a oportunidade de conhecer. 

         Gravíssimas violações de direitos humanos vêm ocorrendo no Irã desde a Revolução Xiita-Islâmica de 1979. Em 07 de junho de 2011, tive a oportunidade de encontrar a muçulmana e iraniana Shirin Ebadi - ganhadora do Nobel da Paz; a convite do então presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D’Urso, para um evento na sede da Praça da Sé. Nessa ocasião, Ebadi fez comovente apelo para que a advocacia brasileira enviasse mensagens à embaixada iraniana pedindo a libertação de dez advogados, que estavam presos no Irã por defenderem opositores do regime xiita perante a justiça. 

         Em 2009, eu já alertava para o infortúnio iraniano mediante artigos publicados na Revista Jurídica Consulex. “No Irã, os direitos das mulheres são constantemente violados. Homossexuais são enforcados em praça pública. Além disso, não há liberdade de consciência e de crença. Minorias privadas do direito fundamental à liberdade religiosa são duramente perseguidas.” A propósito, também deixei consignado em artigo que a “Resolução da Assembleia Geral da ONU no. 64 de 2009 manifesta profunda preocupação com recorrentes violações de direitos humanos praticadas pelo Irã como: 1) Tortura e apedrejamentos de mulheres, espancamentos e amputações; 2) Discriminação de mulheres por lei; 3) Perseguição religiosa contra cristãos, judeus, muçulmanos sunitas e, em particular, bahá’ís. Estes são impedidos de frequentar universidades e não têm as mesmas oportunidades de trabalho; 4) Restrições à liberdade de expressão e de reunião pacífica; 5) Persistente falha do devido processo legal e 6) Violações de direitos humanos com intimidações e perseguições, incluindo detenções arbitrárias ou, até mesmo, desaparecimentos forçados de opositores políticos, jornalistas, “blogueiros”, advogados, clérigos, defensores de direitos humanos, acadêmicos e estudantes, resultando em inúmeros mortos e feridos.” 

         A partir de 2025, manifestantes saíram em grandes protestos contra o governo dos aiatolás no Irã. Em inúmeras ocasiões, a Guarda Revolucionária Iraniana abriu fogo contra a sua própria população, matando milhares de homens, mulheres e crianças. Isso tem nome em Ciência Política: Democídio (Vide Rummel). Em português se diz: covardia de um regime teocrático, cruel e impopular como são todos os governos totalitários e revolucionários que reservam o paraíso na terra para si e explora e escraviza a sua própria população. 

         A ditadura iraniana foi abalada, mas a luta do povo iraniano continua até a conquista da estabilidade política, paz e liberdade. A Guarda Revolucionária Xiita-Islâmica ainda está ativa e a teocracia pode ser reorganizada. Este breve artigo é apenas o eco do pedido de ajuda de Shirin Ebadi. Que a sua voz, aqui relembrada, possa continuar alcançando ouvidos sensíveis, gerando compaixão, movimentos de solidariedade, apoio da comunidade internacional e intervenções a favor do povo iraniano: oprimido por seus próprios governantes. A soberania popular iraniana pode sair vitoriosa diante do enfraquecimento da ditadura, mesmo em meio ao caos e sob fogo cruzado. 

 Artigo Publicado no jornal O Imparcial de Presidente Prudente-SP, em 06/03/2026. Disponível em https://www.imparcial.com.br/noticias/iranianos-sob-fogo-cruzado,79250.